RB 60 REFAX no Centro Digital do Ensino Fundamental de São Caetano Sul-SP
Equipamento cultural requalifica espaço da praça existente
Inaugurado em meados de junho passado, o Centro Digital do Ensino Fundamental, em São Caetano do Sul, consolidou-se a partir de projeto do escritório JAA Arquitetura e Consultoria, dirigido por José Augusto Aly. Implantada numa fração de terreno da praça Di Thiene, junto à avenida Goiás, a edificação tornou atrativa a praça com a qual divide o espaço, impondo-se como ponto de interesse arquitetônico daquela via.
Bem-cuidada pela administração local, a avenida Goiás, em São Caetano do Sul, no ABC paulista, é uma longa via que corta o município, fazendo a ligação entre São Paulo e Santo André, duas cidades vizinhas. Até pouco tempo atrás, era possível percorrer praticamente toda a sua extensão sem deparar com qualquer construção que merecesse destaque - a não ser, pelo porte, a enorme fábrica da GM. Desde junho passado, quando a prefeitura inaugurou o Centro Digital do Ensino Fundamental, pelo menos do ponto de vista da arquitetura esse panorama mudou.
Construído em um trecho da praça Di Thiene paralelo àquela via, na altura do bairro Santa Paula, o conjunto foi projetado por José Augusto Aly e ocupa toda a testada da quadra. A edificação se destaca, no entanto, não por seu porte ou extensão, mas pelo desenho e pela implantação. A praça, antes um espaço comum, ganhou outra qualificação - e não é exagero considerar o edifício uma referência arquitetônica local.
Aly conta que o trabalho começou a ganhar contorno quando ele foi chamado para desenvolver um estudo para outro conjunto, também por encomenda da prefeitura, nas proximidades da praça. Esta chamou sua atenção por estar subutilizada e completamente cercada por grades. Ao saber que o poder público não tinha intenção de intervir no local, o arquiteto decidiu propor sua ocupação com uma biblioteca.
Para a construção inicial, a idéia não prosperou. Mas a sugestão do edifício cultural concretizou-se num conjunto com 3,5 mil metros quadrados de área construída, cujo programa original foi ampliado: além da biblioteca convencional, a edificação abriga uma biblioteca digital, telecentro (cujo objetivo é ampliar o acesso da população às mídias digitais) e uma escola de informática.
O arquiteto desenhou uma construção - “uma barra de 85 x 12,5 metros”, como a define Aly - com o pavimento térreo quase totalmente em pilotis, solução que, observada da avenida, configura uma espécie de porta de acesso para a praça, justificando, assim, o termo praçaequipamento. Numa descrição simples, o prédio é composto por dois volumes laterais (ocupados pela circulação vertical), entre os quais estão implantados uma caixa envidraçada transparente (a biblioteca) e um volume de desenho mais denso e tonalidade contrastante (o telecentro).
A caixa envidraçada recebeu a proteção de brises na face mais sujeita à insolação, no lado voltado para a avenida. Na fachada oposta, orientada para a praça, o volume é quase completamente transparente, revelando o interior do prédio. Nessa relação interior/exterior, Aly toma como referência certos aspectos do projeto de Paulo Bruna Arquitetos Associados para a antiga Ática Cultural (PROJETO DESIGN 210, julho de 1997), hoje Fnac Pinheiros. No térreo, além do acesso, foi reservado espaço para um café, que ainda não está funcionando.
À direita do acesso principal, vindo da avenida, numa parte do terreno que foi rebaixada, o arquiteto encaixou a escola de informática, cujo contorno é demarcado por um espelho d’água. A praça seca no térreo deve servir para a apresentação de pequenos shows e eventos. Ainda nesse pavimento, acima do volume da escola, configura-se o bloco do telecentro, no topo do qual está um terraço de estudos/leitura.
O conjunto, informa Aly, possui estrutura de concreto armado moldado in loco e desenvolve-se como uma barra longitudinal em módulos de 12,5 x 6,25 metros e balanços de aproximadamente 3,5 metros. A impressão é a de um volume suspenso sob um pórtico, que nas extremidades tem áreas de circulação vertical, sanitários e shafts. A cobertura técnica abriga equipamentos de conforto predial e instalações. A cobertura do telecentro ultrapassa em altura e largura a da caixa de vidro, fornecendo proteção ao terraço e à praça seca do térreo.
Fonte: www.arcoweb.com.br
Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 343 Setembro de 2008







