FORRO COLMEIA B15 REFAX na Livraria da Vila no Shopping Cidade Jardim
Pequena escala vence conflito com a dimensão
Com mais espaço do que em seu primeiro projeto para a Livraria da Vila, Isay Weinfeld criou elementos marcantes. Se os livros inundam o perímetro da loja, as escadas coloridas e o auditório suspenso são os protagonistas.
Mudaram a escala e a natureza do local de implantação, mas a nova unidade da Livraria da Vila, em São Paulo, concebida por Isay Weinfeld, guarda do projeto feito para a região dos Jardins (leia PROJETO DESIGN 330, agosto de 2007) o conceito de ambiente intimista, voltado aos interiores. Fundamentais, nesse sentido, são as visuais internas criadas pelo desenho assimétrico do pavimento superior.
A área construída da nova livraria é cerca de três vezes maior do que a da rua Lorena, uma condição contrária, em princípio, à manutenção da pequena escala como elemento norteador da arquitetura. E esta é uma característica fundamental para que o projeto, embora totalize 3,2 mil metros quadrados, não seja o de uma megastore. Um dos desafios, portanto, foi novamente enfatizar o livro como unidade principal dos interiores, ao que o arquiteto respondeu com interessantes setorização e volumetria internas.
O andar superior tem a forma de mezanino perimetral, dada a grandiosidade da área central de pé-direito duplo que ele cria em sobreposição ao térreo. São cerca de 30 metros de profundidade por 15 de largura, dimensões muito superiores ao desejável para que se estabelecesse o pretendido ambiente aconchegante e intimista. Entraram em cena, então, volumes suspensos, que abrigam programas diversificados. Na parte frontal, eles são dedicados à área para venda e audição de discos de música clássica e jazz, assim como para o setor de estar e eventos; na parte posterior, um deles recebeu um auditório com 82 lugares.
Configurados por fechamentos de vidro com tratamentos diversos - incolores, brancos, com adesivos e recobertos por tecido -, esses volumes independentes se apóiam em delgados pilares circulares, que, pintados de branco, contrapõem-se à sobriedade dos interiores. A modulação estrutural cria uma interessante densidade de ocupação do térreo - favorável frente à grande metragem - e, ao mesmo tempo, sugere áreas específicas para estar e expositores baixos.
Não há alinhamentos regulares entre esses blocos e o mezanino, o que qualifica a disposição linear das estantes e expositores colocados em todas as laterais da loja. A maior ou menor escala dos vazios internos cria diferenciações sutis entre os vários setores, de forma que a interação visual entre os andares seja sempre valorizada.
Nesse aspecto, o projeto se aproxima conceitualmente da livraria nos Jardins, onde as aberturas circulares nas lajes de concreto funcionam como vitrines suspensas. Há ainda uma série de janelas internas, regiões em que prateleiras duplas têm recortes retangulares que possibilitam a visualização entre ambientes. Duas escadas esculturais, internamente constituídas por acabamento em padrão madeira e externamente pintadas de amarelo, também se destacam.
Como na livraria dos Jardins, as visuais internas entre andares são marcadas pelo grande número de obras expostas nas prateleiras de madeira escura.
Elas configuram volumes fechados e estão interligadas ao mezanino por passarelas. Junto ao espaço, do lado direito de quem entra, haverá uma filial da Casa do Saber, que não será desenhada por Weinfeld.







