Brises LC100 REFAX na Ampliação do Hospital Bosch em Campinas-SP
Bioclimatismo em Obra Hospitalar
Soluções para uso de luz e ventilação naturais foram cuidadosamente estudadas no projeto de expansão do Hospital Bosch, em Campinas, resultando na adequação do edifício ao meio ambiente, com eficiência energética e condições adequadas de iluminação e sombreamento.
Construído na década de 1970, com apoio da Fundação Bosch, o Hospital Bosch tornou-se referência na região de Campinas, tendo sua história ligada ao desenvolvimento da medicina de ponta. Nos últimos anos, a direção da entidade constatou a necessidade de aumentar seu espaço, tanto nos setores ligados ao pronto-atendimento, como naqueles voltados aos diagnósticos por imagem e aos leitos de média e alta complexidade. Era preciso, também, modernizar as instalações prediais e criar infra-estrutura para futuras ampliações.
O plano de crescimento, elaborado pelo escritório Cabe Arquitetos, determinou a expansão em três etapas. A primeira foi realizada em 2002, na pediatria; a segunda, concluída em 2005, reorganizou e ampliou o setor de internação. A terceira etapa, em fase de execução das fundações, inclui o bloco de complexidades. Nele estão localizados pronto-atendimento e emergência, centro de diagnóstico por imagem, 45 leitos de UTI (para adultos, pediatria e neonatal) e central de esterilização.
De acordo com o programa de necessidades da segunda fase de ampliação, o desenho do andar-tipo de 1,1 mil metros quadrados foi determinado pela localização dos ambientes de apoio. Posicionados no centro longitudinal do edifício, eles dividem o pavimento em dois corredores de circulação interligados em pontos estratégicos, de modo a facilitar fluxos de pessoas e serviços e diminuir percursos, agilizando a assistência ao paciente.
No centro do pavimento foi instalado o setor de controle e atividades administrativas do andar. Nele estão localizados o posto de informações e as áreas de escrituração e de prescrição médica. O layout determinou o novo conceito operacional da unidade, que ficou dividida em duas alas - norte e sul -, cada qual com sua estrutura de prescrição médica e serviços de enfermagem.
Os apartamentos e quartos são amplos e arejados, com janelas que favorecem a visualização exterior e possibilitam o controle da entrada de luz natural, através de persianas com acionamento automatizado ou brises horizontais externos. São equipados com tevê, frigobar, ar-condicionado e infraestrutura para conexão com a Internet.
Implantação
O projeto do novo edifício tirou partido da topografia do terreno. Assim, além de respeitar a escala do complexo hospitalar existente - variando entre um e dois pavimentos -, evitou-se movimentação de terra. Essa solução também contribuiu para a redução do custo de obra e a obtenção de melhores resultados estéticos, uma vez que tornou a edificação mais integrada ao perfil natural do lote.
A configuração original de implantação do hospital - na horizontal - demandou uma revisão em seus fluxos, de modo a otimizar a operacionalização e a logística de transporte de pacientes e materiais e a tornar claros os percursos. Para isso, o projeto propôs a criação de uma ampla passarela, como principal artéria de interligação dos blocos. Ela também atua pontualmente no novo edifício, reunindo todas as áreas sociais numa ampla praça. Aí se encontram ambientes de espera e descanso de visitantes e acompanhantes, os sanitários públicos e as caixas de circulação vertical (elevador e escada).
Bioarquitetura
Outra característica do projeto de ampliação do Hospital Bosch é a aplicação de conceitos de bioarquitetura, com foco na sustentabilidade do edifício. “Campinas é uma cidade de clima quente e céu claro; o hospital localiza-se em um bairro-jardim, afastado do centro, com índice de iluminação muito alto e sem poluição”, afirma a arquiteta Célia Bertazzoli, do escritório Cabe. “Luz e ventilação natural são fatores que contribuem para o conforto e a saúde tanto do usuário quanto da edificação, mas em abundância podem constituir um problema”.
O estudo bioclimático foi importante para respaldar o projeto com algumas soluções. A captação da luz natural é feita através de amplos panos de vidro, tanto nos setores que recebem pouca incidência direta de sol (a passarela de interligação, por exemplo), quanto naqueles que recebem insolação direta, como a ala dos quartos. Nesse caso, a iluminação é controlada por meio de brises horizontais de alumínio, que se projetam à distância de 60 centímetros das janelas, contribuindo, também, para o sombreamento no momento da luz solar frontal. Isso permite que o usuário continue tendo visão para o exterior, pois não precisa fazer uso de superfícies cegas na proteção contra excesso de luminosidade e calor.
Todas as aberturas para o exterior são amplas e os sistemas permitem o controle da ventilação natural, podendo o ar-condicionado ser utilizado de maneira individualizada, para conforto nos meses de verão. A luz natural foi também aproveitada para iluminar áreas internas, colaborando com a redução no consumo de energia elétrica. Com o uso de telhas translúcidas e forro sombreador, os setores de circulação, de serviços e de apoio de enfermagem têm seu consumo de iluminação artificial reduzido em período considerável do dia, resultando em grande economia durante o ano.
A cor escolhida para as fachadas também atendeu a indicações de estudos bioclimáticos. Uma vez que o entorno é dotado de muita luz e clima quente, a tonalidade clara absorve menos radiação solar, com impacto positivo no conforto térmico. Para a cobertura foi utilizado sistema composto por telha termoacústica pré-pintada.
Fechamento de vãos
A passarela de interligação dos blocos do complexo forma pátios-jardim que refletem a luz para dentro do edifício. Além disso, a vegetação contribui para a diminuição da incidência direta de irradiação solar. Para favorecer a entrada de luminosidade, a passarela foi concebida com vãos fechados por painéis de vidro temperado de oito milímetros de espessura, aplicados em pequenos perfis instalados no peitoril, na lateral e na parte superior do vão. “O vidro é encaixado nesse perfil, colado com silicone e vedado. Entre os vidros, a junta recebeu silicone de cura neutra. Na parte superior da chapa existe uma bandeira com vidro pivotante, também sem caixilharia. Os quadros pivotantes foram executados com ferramentas específicas para vidros temperados. O próprio vidro é preparado para receber os acessórios”, explica o engenheiro responsável pela obra, George Gamper, da Fundação Centro Médico de Campinas.
Janelas Integradas
Para os quartos e apartamentos foram concebidas soluções de fechamento dos vãos que facilitem o manuseio pelos pacientes ou seus acompanhantes. “As janelas com persianas integradas, nos quartos, possibilitam controle de luminosidade através de sistema de recolhimento automático por controle remoto, que pode ser acionado pelo paciente”, explica Domingos Moreira Cordeiro, diretor da Adalume, empresa responsável pela execução das janelas integradas e da fachada- cortina do bloco da pediatria. As janelas integradas são compostas por quatro folhas de vidro de quatro milímetros, sendo duas fixas e duas de correr. Para proteção contra insetos, receberam tela mosquiteira.
Separado do bloco do hospital, o setor de pediatria ganhou fachada pele de vidro structural glazing, produzida com vidros laminados de oito milímetros, colados com silicone estrutural em perfis de alumínio. No sistema desenvolvido pela Adalume, estes receberam pintura eletrostática na cor branca.
Quando o programa de ampliação estiver totalmente concluído, o hospital terá cerca de 16 mil metros quadrados e 200 leitos. Em 2000, antes do início das obras, havia cem leitos e cerca de 8,5 mil metros quadrados de área construída. Com a segunda etapa, houve ganho de 2,5 mil metros quadrados e 55 leitos no setor de internação.
Fonte: www.arcoweb.com.br





