Brises Metálicos da REFAX em Laboratório de Pesquisa em Campinas - SP
Elementos metálicos abraçam estrutura de concreto preexistente
Pioneiro no país, o laboratório Alellyx (inversão do nome da bactéria Xyllela fastidiosa, cujo sequenciamento de genes foi realizado pela equipe de cientistas que está à frente deste centro) foi criado para realizar pesquisas genéticas. A unidade ocupa espaço criado pelo escritório Andrade Morettin, que aproveitou um galpão existente, construído com peças estruturais de concreto pré-moldadas.
O laboratório se localiza em Campinas, região considerada um dos pólos tecnológicos do interior paulista. A proximidade geográfica e os mesmos autores revelam parentesco com a escola da FDE (leia PROJETO DESIGN 296, outubro de 2004). No entanto, se nesta a estrutura pré-moldada foi definida pelos projetistas (apesar de ser uma das condicionantes da contratante), no segundo prédio os arquitetos se depararam com uma construção existente.
Nesse sentido, pode-se fazer um paralelo com outros projetos da equipe, como a casa na Vila Madalena, com Anna Júlia Dietzsch (leia PROJETO DESIGN 210, julho de 1997); o restauro e ampliação da Faculdade de Medicina da USP, com Lua Nitsche e José Alves (PROJETO DESIGN 227, dezembro de 1998); e o apartamento no edifício Prudência, com Alves (PROJETO DESIGN 275, janeiro de 2003).
No entanto, essas aproximações apressadas requerem cuidado. No caso, não está em jogo o patrimônio histórico (como aconteceu no Prudência e na faculdade), tampouco a justaposição de imagens (como na casa). Contudo, como nos anteriores, no laboratório os autores contrapõem claramente o novo e o antigo. Desta vez, pelo repertório construtivo: enquanto os elementos pré-moldados de concreto são mantidos no vulgar espaço existente, a ampliação recorre à linguagem do galpão metálico, com estrutura, cobertura e fechamentos. Na escola pública campineira - projetada depois do laboratório, embora concluída antes -, também há contraponto entre repertórios construtivos desenvolvidos inicialmente para unidades fabris, mas no centro de pesquisas, localizado dentro de um loteamento industrial, isso se dá com uma obra já edificada, um galpão banal.
O edifício existente caracterizava-se, de forma bastante simples, por áreas de escritório (em dois pisos) na frente e no fundo, vazio central com pé-direito duplo e fechamentos e cobertura de concreto. O programa de necessidades do laboratório pedia área maior. A estratégia adotada pela equipe foi implantar um cinturão em torno da construção - logicamente, onde os recuos permitiam -, o que resultou em um novo corpo em L, que define fachadas na lateral direita e no fundo. Na frente, a diferença de ângulo entre o alinhamento e a edificação anterior possibilitou criar um volume para o auditório. Além disso, para proteger as aberturas dos escritórios frontais da insolação poente e reforçar a leitura da imagem do prédio, os autores colocaram, em continuidade com a estrutura de aço, um brise metálico.
Na lateral, a área de ampliação foi ocupada por garagens e sala de lavagem, no térreo, e laboratórios no primeiro piso. No fundo, estão os setores técnicos. Foi criado um volume anexo para as estufas.
Evidente a partir do exterior, a lógica de marcar com elementos metálicos a nova ocupação também foi utilizada no interior do galpão, em um dos pontos mais interessantes do projeto. No vazio central de pé-direito duplo foram instaladas, longitudinalmente, bancadas que se caracterizam pela flexibilidade. Cada uma é estruturada por uma “espinha de instalações” (composta de condutores elétricos e hidráulicos, entre outros, acompanhando o sentido da bancada), à qual podem ser conectados equipamentos para diversas funções, tais como pias e estações de trabalho.
Assim, o espaço adapta-se com facilidade às mudanças no desenvolvimento das pesquisas. Todos os dados são controlados por salas fechadas, tendo em vista a segurança de informações exigida por um programa desse tipo.
Fonte: www.arcoweb.com.br
Texto resumido a partir de reportagem
de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 313 Março de 2006



